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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Impairment test: conceito, finalidade e contabilização.


Teste recuperação de ativos[1] 
A Lei n 11.638/07, trouxe no seu artigo 183, parágrafo terceiro, uma inovação para os padrões do nosso país, determinando que as empresas devem efetuar, periodicamente, análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível.
Este teste de recuperação visa registrar as eventuais perdas de valor do capital aplicado, quando houver decisão de interromper os empreendimentos ou atividades a que se destinavam, ou quando comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação destes valores.
Outra finalidade dos testes de recuperação de ativos, é a revisão e ajustes nos critérios utilizados para a determinação da vida útil econômica estimada dos bens, para que sejam realizadas adequações nos cálculos da depreciação, exaustão e amortização.
O valor recuperável do imobilizado, ou do intangível, é o maior entre o valor líquido de venda de um ativo, ou da unidade geradora de caixa, e o seu valor em uso.   
Unidade geradora de caixa é o menor grupo identificável de ativos que gera as entradas de caixa, que são em grande parte independentes das entradas de caixa de outros ativos ou de grupos de ativos.
O conceito é que o valor contábil de um ativo não, pode estar registrado no balanço patrimonial por montante superior ao seu valor recuperável, caso isto ocorra, a entidade deverá constituir uma conta de provisão para perdas por desvalorização, classificada como redutora do imobilizado, ou intangível, em contrapartida por um débito em conta de resultado. 
O teste de recuperação dos ativos, incluídos o imobilizado e o intangível, deve ser realizado pelo menos em cada fechamento do balanço, revisando a situação destes ativos, com o intuito de identificar indícios de deterioração do seu valor.
O CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis estabelece indicadores de que pode haver indicações internas e externas possa sofrer desvalorização, através do CPC nº 01 – redução ao valor recuperável de ativos, conforme descrevemos abaixo:

 Fontes externas de informação
(a) durante o período, o valor de mercado de um ativo diminuiu sensivelmente, mais do que seria de se esperar como resultado da passagem do tempo ou do uso normal;
(b) mudanças significativas com efeito adverso sobre a entidade ocorreram durante o período, ou ocorrerão em futuro próximo, no ambiente tecnológico, de mercado, econômico ou legal, no qual a entidade opera ou no mercado para o qual o ativo é utilizado;
(c) as taxas de juros de mercado ou outras taxas de mercado de retorno sobre investimentos aumentaram durante o período, e esses aumentos provavelmente afetarão a taxa de desconto usada no cálculo do valor em uso de um ativo em uso e diminuirão significativamente o valor recuperável do ativo;
(d) o valor contábil do patrimônio líquido da entidade é maior do que o valor de suas ações no mercado;

Fontes internas de informação
(e) evidência disponível de obsolescência ou de dano físico de um ativo;
(f) mudanças significativas, com efeito adverso sobre a entidade, ocorreram durante o período, ou devem ocorrer em futuro próximo, na medida ou maneira em que um ativo é ou será usado. Essas mudanças incluem o ativo que se torna inativo, planos para descontinuidade ou reestruturação da operação à qual um ativo pertence, planos para baixa de um ativo antes da data anteriormente esperada e reavaliação da vida útil de um ativo como finita ao invés de indefinida; e
(g) evidência disponível, proveniente de relatório interno, que indique que o desempenho econômico de um ativo é ou será pior que o esperado

 Exemplos de unidades geradoras de caixa[2]

Exemplo 1
Uma entidade de mineração tem uma estrada de ferro particular para dar suporte às suas atividades de mineração. Essa estrada pode ser vendida somente pelo valor (residual) de sucata e ela não gera entradas de caixa provenientes de uso contínuo que sejam em grande parte independentes das entradas de caixa provenientes de outros ativos da mina.
Não é possível estimar o valor recuperável da estrada de ferro porque seu valor em uso não pode ser determinado e é provavelmente diferente do valor de sucata. Portanto, a entidade estima o valor recuperável da unidade geradora de caixa à qual a estrada de ferro pertence, isto é, a mina como um todo.

Exemplo 2
Uma entidade de ônibus fornece serviços, sob contrato, a um município que exige serviço mínimo em cada um de cinco percursos. Os ativos dedicados a cada percurso e os fluxos de caixa provenientes de cada percurso podem ser identificados separadamente. Um dos percursos opera com prejuízo significativo.
Como a entidade não tem a possibilidade de eliminar nenhum dos percursos, o nível mais baixo de entradas de caixa identificáveis, que são substancialmente independentes das entradas de caixa provenientes de outros ativos ou grupos de ativos, são as entradas de caixa geradas pelos cinco percursos juntos. A unidade geradora de caixa para cada percurso é a entidade de ônibus como um todo.

  
Exemplos de contabilizações de contabilizações de “testes de recuperações de ativos”[3].

Exemplo 1 – No imobilizado
A sociedade atua no ramo de extração de minérios e explora várias minas localizadas em diversos municípios no Brasil. Um projeto situado no Estado do Pará, com custo do imobilizado de R$ 70.000 e a depreciação acumulada de R$ 25.000, foi abandonado em função da baixa qualidade do minério. A administração da sociedade é de opinião que essa mina é inviável economicamente, que o valor de realização do imobilizado é nulo e que esse projeto só será retomado no futuro se houver aumento substancial no preço de venda do minério.

Imobilizado – posição preliminar:
D – Classe do bem (imobilizado) – Ativo Não Circulante                              R$ 70.000
C – Amortização Acumulada – Ativo Não Circulante                                     R$ [25.500]
Valor líquido do bem                                                                                            R$ 44.500

Lançamento contábil da provisão para perda:
D – Perda por desvalorização   – Outras Despesas Operacionais              R$ 44.500
C – Provisão para perdas com desvalorização – Ativo Não Circulante      R$ 44.500

Imobilizado – posição final:
D – Classe do bem (imobilizado) – Ativo Não Circulante                              R$ 70.000
C – Amortização Acumulada – Ativo Não Circulante                                     R$ [25.500]
C- Provisão para perdas com desvalorização – Ativo Não Circulante        R$ [44.500]
Valor líquido do bem                                                                                            R$ 0,00


Exemplo 2 – No intangível
A sociedade adquiriu uma patente de um remédio de terceiros pelo valor de R$ 50.000 e decidiu amortizá-la pelo prazo de cinco anos. Esse prazo foi estabelecido em função da expectativa de geração de receita do produto patenteado.
Em 31/12/20X1, a situação preliminar era a seguinte:

Intangível preliminar:
D – Classe do bem (intangível) Ativo Não Circulante                                     R$ 50.000
C – Amortização Acumulada – Ativo Não Circulante                                     R$ [20.000]
Valor líquido do direito                                                                                         R$ 30.000

Acontece que outra indústria farmacêutica lançou no mercado um produto que gera os mesmo benefícios para os clientes e por um preço substancialmente inferior. A administração da sociedade entende que deverá baixar o preço do seu produto, e, consequentemente acredita que 30% do saldo amortizar da patente [R$ 30.000 X 30% = R$ 9.000) não é recuperável via venda futura desse produto, com base em estudo efetuado.

Lançamento contábil da provisão para perda:
D – Perda por desvalorização   – Outras Despesas Operacionais              R$ 9.000
C – Provisão para perdas com desvalorização – Ativo Não Circulante      R$ 9.000

Intangível – posição final:
D – Classe do bem (intangível) – Ativo Não Circulante                                 R$ 50.000
C – Amortização Acumulada – Ativo Não Circulante                                     R$ [20.000]
C- Provisão para perdas com desvalorização – Ativo Não Circulante        R$ [ 9.000]
Valor líquido do bem                                                                                            R$ 21.000



[1] Conhecido como “impairment”, tanto nos EUA, como na Europa.
[2] Exemplo extraído do CPC n 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos.
[3] Para estes exemplos, utilizaremos modelos realizados por BRAGA e ALMEIDA no livro Mudanças Contábeis na Lei Societária, Atlas: 2008, adaptados para este estudo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MEI, EIRELI, Sociedade LTDA: Entenda um pouco mais.


Quando uma pessoa, ou diversas pessoas, desejam constituir uma empresa, podem pensar que basta ter conhecimento sobre o ramo de atividade, capacidade de trabalho e uma boa ideia.
Claro que os itens acima são essenciais, todavia a escolha adequada do tipo societário, principalmente em pequenos negócios, é fator chave para evitar dores de cabeça no futuro.
Temos no Brasil diversas formas de enquadramento societário/ordenamento jurídico das empresas, e neste post vou me dedicar a três delas: MEI, EIRELI e Sociedade LTDA.
De acordo com o portal do empreendedor:
MEI
É a pessoa que trabalha por conta própria e se legaliza como pequeno empresário. Para ser um microempreendedor individual, é necessário faturar no máximo até R$ 60 mil por ano e não ter participação em outra empresa como sócio ou titular. O MEI também pode ter um empregado contratado que receba o salário mínimo ou o piso da categoria. Além disso, ele será enquadrado no Simples Nacional e ficará isento dos tributos federais, pagando apenas o valor fixo mensal de R$ 34,90 (comércio ou indústria), R$ 38,90 (prestação de serviços) ou R$ 39,90 (comércio e serviços), que será destinado à Previdência Social e ao ICMS ou ao ISS. Com essas contribuições, o Microempreendedor Individual tem acesso a benefícios como auxílio maternidade, auxílio doença e aposentadoria.
EIRELI
A empresa individual de responsabilidade limitada é aquela constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, que não poderá ser inferior a cem vezes o maior salário-mínimo (hoje, em R$ 678). O titular não responderá com seus bens pessoais pelas dívidas da empresa. A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade.
SOCIEDADE LIMITADA
É a sociedade que realiza atividade empresarial, formada por dois ou mais sócios que contribuem com moeda ou bens avaliáveis em dinheiro para formação do capital social. A responsabilidade dos sócios é restrita ao valor do capital social, mas respondem solidariamente pela totalidade do capital, ou seja, cada sócio tem obrigação com a sua parte no capital social.
Conforme percebemos acima, deve ser analisada a prospecção da empresa, expectativa de faturamento, desejo de ter único dono, ou ter sócio/quotista, e até onde está disposto a assumir riscos patrimoniais.
Naturalmente não são todos os negócios que podem se enquadrar em uma destas categorias, pois a legislação é seletiva, e deve ser feita uma análise do tipo de negócio que será constituído.
Para o adequado planejamento e perspectiva de continuidade dos negócios, previamente a constituição da empresa, é essencial buscar o auxilio de um bom CONTADOR, pois este profissional poderá lhe dar todas as dicas e instruir qual será a melhor forma de constituição da empresa.
Não perdendo de vista que um dos fatores de mortalidade dos pequenos negócios é a alta carga tributária e a falta de controles financeiros e contábeis, sendo estes o “coração” das empresas.
Veja mais dicas no link:

sábado, 19 de janeiro de 2013

Accounting Coach

Estudar sobre contabilidade é importante para o desenvolvimento pessoal nesta área tão importante para a sociedade.
Conhecer sobre novas formas de pensar e agir na contabilidade, em contato com outras culturas e países, é essencial para o desenvolvimento dos profissionais na nossa área.
Com sistemas e processos cada vez mais globalizados, é importante contatos com pessoas de outros países, assim disseminados conhecimento e capturamos novas técnicas, termos e práticas globalizadas, próximas a padrões mundiais como o IFRS e o USGAAP.
O termo accounting coach é oportuno pois a nossa ciência é tão rica que merece o acompanhamento de um treinador/educador para poder propagar a essência da contabilidade e sua importância no mundo corporativo, ou fora dele.
Creio que com maior propagação da contabilidade, as pessoas leigas possam entender com maior naturalidade sobre nossos jargões e técnicas, o que para muitos ainda é assustador.
O desafio maior na nossa profissão é aparecer para a sociedade não somente na época de elaborar a declaração do imposto de renda, mas mostrarmos a todos o quão valorosa é a contabilidade no auxilio dos gestores a tomarem decisões, além de ser imprescindível no controle dos negócios.
Para iniciar o aprofundamento nos estudos globalizados indico o link:
http://www.accountingcoach.com/
Neste endereço existem cursos, testes, histórico da carreira, dicionário para aquelas pessoas que gostam de estudar contabilidade em inglês, pois é esta a língua dos negócios, e importantíssima para o desenvolvimento da carreira.
Aos que puderem contribuir com a indicação de novos links com redes internacionais de contadores, fiquem a vontade para divulgar neste blog, assim crescemos juntos.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O passo a passo da primeira empresa

Abrir uma empresa no Brasil parece cena do filme "missão impossível", onde o futuro empreendedor tem que passar por uma série de desafios para colocar o seu empreendimento "em marcha".
Ostentamos a 126ª posição no ranking global de facilidade para iniciar um negócio, fruto na nossa inaceitável burocracia.
Como se não bastasse esta demora, associe a isto a falta de um bom planejamento, e está constituída uma empresa para não durar muito tempo, contrariando o princípio contábil da continuidade...
Recomendo a todas as pessoas que antes de empreenderem consultem um bom contador para que possam ter a noção dos trâmites, viabilidade do negócio e necessidades de controles.
De nada adianta ser bom no que faz, sem planejamento financeiro e contábil não há negócio que sobreviva....
A contabilidade pode ser a chave de sucesso para que o negócio prospere.
Recomendo o link abaixo com o passo a passo para a abertura da primeira empresa no Brasil.
O passo a passo da primeira empresa - Economia - Notícia - VEJA.com

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Persistem as divergências entre o FASB e as IFRS na consolidação de um conjunto único de regras contábeis.

Passados mais de 10 anos de discussões, ainda não foi desta vez que a contabilidade americana passará a adotar o padrão IFRS para a apresentação das suas demonstrações financeiras, de forma pacífica.
Há um grande conservadorismo dos analistas americanos de que a adoção do padrão IFRS de fato traga maior clareza e conforto aos diversos usuários das informações contábeis daquele país.
Ao contrário de outros países que adotaram o padrão IFRS, mais por imposição do que efetivamente por vontade própria, os EUA também possuem um conjunto de normativas importantes, consolidadas e de confiança dos seus analistas.
Todavia, persistem as discussões para a eliminação dos GAAP's entre os padrões, para que tenhamos de fato um conjunto universal de normas contábeis, o que deverá ocorrer nos próximos anos.
Matéria interessante sobre este tema pode ser lido no link abaixo:
New mechanisms eyed by FASB, IASB in long march toward global comparability

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Índice de percepção da corrupção no mundo em 2012

A cada ano que passa o ranking de corrupção no Brasil se mantém em níveis vergonhosos, o que prejudica a imagem do nosso país no exterior.
Desde que acompanho os estudos desenvolvidos por uma entidade não governamental do exterior, onde mede a transparência internacional em aproximadamente 180 países, o Brasil oscila entre o 70º e 60º lugar, algo vergonhoso para a nossa nação, e o poderio do nosso país. No ano de 2012 ficamos em 69º lugar.
A corrupção no Brasil está impregnada nos órgãos públicos e em muitas empresas privadas, fruto da ausência de um programa detalhado e minucioso de auditoria.
Somos um dos países menos auditados do mundo, e certamente a corrupção poderia ser melhor controlada se houvesse maior número de auditores nas organizações.
A contabilidade é um dos principais "remédios" contra corrupção, pois a sua teoria está fundamentada no método das partidas dobradas, onde não há devedor, sem credor, logo, não há aplicações de recursos sem origens.


quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

MEI - Microempreendedor Individual: Declaração Anual do Simples Nacional

Já é possível fazer o envio da (DASN-SIMEI) Declaração Anual do Simples Nacional, na qual inclui os microempreendedores individuais.A declaração pode ser enviada até o dia 31 de maio de 2013. A não entrega da declaração, no prazo determinado, além de tornar irregular o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), também deixa irregular o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) dos microempreendedores. Além disso, as guias de recolhimento de 2013 só são disponibilizadas após a remessa da DASN-SIMEI, por isto é prudente encaminhar o mais rápido possível, evitando o pagamento de juros pelo atraso das guias de recolhimento deste ano.Para o preenchimento da declaração é necessário o Certificado da Condição de Microempreendedor Individual e Relatório Mensal de Receitas Brutas (um para cada mês de 2012). É preciso informar também o total da receita obtida pelo empreendimento em 2012. Se a atuação estiver ligada ao comércio ou indústria, os empreendedores precisarão informar o montante da receita sujeito ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). E, por fim, os declarantes deverão responder se tiveram ou não um funcionário no período.

Os microempreendedores individuais podem buscar auxílio nos escritórios contábeis optantes pelo Simples Nacional. A Declaração Anual de empreendedores formalizados em 2012 deve ser realizada gratuitamente pelos escritórios de contabilidades optantes pelo Simples.

O preenchimento e entrega deve ser realizado através do link:www.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional Para aqueles que desejam conhecer melhor sobre a formalização e os benefícios da criação do MEI, recomendo a consulta no seguinte link:

http://www.portaldoempreendedor.gov.br/